CAPÍTULO TRÊS
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A única vantagem de não ter um carro é que no ônibus, a caminho do trabalho, posso colocar os fones de ouvido no iPad enquanto ele está guardado em segurança dentro da bolsa e ouvir todas as músicas maravilhosas que Christian gravou para mim. Quando chego ao escritório, estou com o sorriso mais idiota estampado no rosto.
Jack me olha, vira-se, e olha novamente.
— Bom dia, Ana. Você está... radiante. — Sua observação me irrita. Que coisa mais inapropriada!
— Bom dia, Jack. Dormi bem, obrigada.
Sua testa se enruga.
— Você pode dar uma lida nisto aqui para mim e preparar os relatórios até a hora do almoço, por favor? — Ele me entrega quatro manuscritos. Ao ver minha expressão de espanto, acrescenta: — Só os primeiros capítulos.
— Claro. — Sorrio de alívio, e ele abre um largo sorriso em troca.
Ligo o computador para começar a trabalhar enquanto termino de comer uma banana e de tomar meu café com leite. Vejo que recebi um e-mail de Christian.
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De: Christian Grey
Assunto: Me ajude...
Data: 10 de junho de 2011 08:05
Para: Anastasia Steele
Espero que você tenha tomado café da manhã.
Senti sua falta ontem à noite.
Christian Grey
CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.
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De: Anastasia Steele
Assunto: Livros velhos...
Data: 10 de junho de 2011 08:33
Para: Christian Grey
Estou comendo uma banana enquanto escrevo. Não tomo café da manhã há alguns dias, então já é um avanço. Adorei o app da Biblioteca Britânica. Comecei a reler Robinson Crusoé... e, é claro, amo você.
Agora me deixe em paz, estou tentando trabalhar.
Anastasia Steele
Assistente de Jack Hyde, Editor, SIP
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De: Christian Grey
Assunto: Você só comeu isso?
Data: 10 de junho de 2011 08:36
Para: Anastasia Steele
É melhor se esforçar mais. Vai precisar de energia para implorar.
Christian Grey
CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.
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De: Anastasia Steele
Assunto: Praga
Data: 10 de junho de 2011 08:39
Para: Christian Grey
Sr. Grey, estou tentando exercer meu ganha-pão, e é você que vai implorar.
Anastasia Steele
Assistente de Jack Hyde, Editor, SIP
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De: Christian Grey
Assunto: Manda ver!
Data: 10 de junho de 2011 08:36
Para: Anastasia Steele
Ora, Srta. Steele, eu adoro um desafio...
Christian Grey
CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.
Sorrio para a tela feito uma idiota. Mas preciso ler esses capítulos para Jack e escrever relatórios sobre todos eles. Coloco os manuscritos em cima da mesa e começo.
Na hora do almoço, vou até a cantina para comer um sanduíche de pastrami e ouvir a seleção de músicas em meu iPad. Primeiro, Nitin Sawhney, uma faixa de world music chamada “Homelands” — é boa. O Sr. Grey tem um gosto eclético para música. Volto até minha mesa ouvindo uma música clássica, “Fantasia sobre um tema de Thomas Tallis”, de Vaughn Williams. Hum, ele tem senso de humor, e eu o adoro por isso. Será que esse sorriso estúpido algum dia vai sair do meu rosto?
A tarde se arrasta. Decido, em um momento de descuido, escrever um e-mail para Christian.
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De: Anastasia Steele
Assunto: Entediada...
Data: 10 de junho de 2011 16:05
Para: Christian Grey
Não tenho nada para fazer.
Como você está?
O que está fazendo?
Anastasia Steele
Assistente de Jack Hyde, Editor, SIP
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De: Christian Grey
Assunto: Algo para fazer
Data: 10 de junho de 2011 16:15
Para: Anastasia Steele
Você deveria ter vindo trabalhar para mim.
Certamente teria algo para fazer agora.
Tenho certeza de que seria melhor aproveitada.
Na verdade, posso pensar em diversas formas de aproveitá-la...
Eu estou fazendo minhas fusões e aquisições de sempre.
É tudo muito tedioso.
Seus e-mails na SIP são monitorados.
Christian Grey
Um CEO distraído, Grey Enterprises Holdings, Inc.
Ai, merda. Eu não tinha ideia. Como ele sabe disso? Faço uma cara feia para a tela e rapidamente verifico os e-mails trocados por nós, deletando-os.
Jack chega à minha mesa pontualmente às cinco e meia. Como é sexta-feira, ele está de calça jeans e camisa preta.
— E aí, vamos tomar um drinque, Ana? Em geral a gente dá uma passada rápida no bar do outro lado da rua.
— A gente? — pergunto, esperançosa.
— É, a maior parte do pessoal vai... Você vem?
Por alguma estranha razão que não quero avaliar atentamente, sou tomada por uma sensação de alívio.
— Claro. Como se chama o bar?
— Anos Cinquenta.
— Você está brincando?
— Não. Tem algum significado especial para você? — Ele me olha confuso.
— Não, desculpe. Encontro vocês lá.
— O que você gostaria de beber?
— Uma cerveja, por favor.
— Legal.
Vou até o banheiro e mando um e-mail para Christian do meu BlackBerry.
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De: Anastasia Steele
Assunto: Vai combinar direitinho com você
Data: 10 de junho de 2011 17:36
Para: Christian Grey
Estamos indo para um bar chamado Anos Cinquenta.
A quantidade de piadas que eu poderia fazer sobre isso é interminável.
Estou ansiosa para encontrá-lo lá, Sr. Grey.
Bj,
A.
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De: Christian Grey
Assunto: Riscos
Data: 10 de junho de 2011 17:38
Para: Anastasia Steele
Fazer piada é uma coisa muito, muito perigosa.
Christian Grey
CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.
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De: Anastasia Steele
Assunto: Riscos?
Data: 10 de junho de 2011 17:40
Para: Christian Grey
O que quer dizer com isso?
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De: Christian Grey
Assunto: Apenas...
Data: 10 de junho de 2011 17:42
Para: Anastasia Steele
É apenas uma observação, Srta. Steele.
Vejo você em breve.
Até menos, baby.
Christian Grey
CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.
Confiro meu reflexo no espelho. Que diferença um dia pode fazer. Minhas bochechas estão coradas, meus olhos, radiantes. É o efeito Christian Grey. Uma simples troca de e-mails com ele faz isso com qualquer garota. Sorrio para o espelho e ajeito a camisa azul-clara — a que Taylor comprou para mim. Também estou usando minha calça jeans favorita hoje.
A maioria das mulheres no escritório usa calça jeans ou saias leves. Vou precisar investir em uma ou duas saias soltinhas. Talvez faça isso este fim de semana e desconte o cheque que Christian me deu por Wanda, o fusca.
Assim que saio do prédio, ouço chamarem meu nome:
— Srta. Steele?
Viro-me e vejo uma jovem pálida se aproximar de mim cautelosamente. Parece um fantasma: tão branca e tão estranhamente vazia.
— Srta. Anastasia Steele? — repete ela, e suas feições permanecem estáticas, embora esteja falando.
— Sim?
Ela para, encarando-me a cerca de três metros na calçada. Olho para ela, paralisada. Quem é? O que ela quer?
— Posso ajudar? — pergunto. Como ela sabe meu nome?
— Não... Eu só queria ver você. — Sua voz é estranhamente sedosa.
Como eu, ela tem o cabelo escuro contrastando fortemente com a pele clara. Seus olhos são castanhos feito uísque, mas opacos. Não transmitem nenhum resquício de vida. Seu belo rosto está lívido e marcado pela tristeza.
— Desculpe, estou em desvantagem — digo, tentando ignorar o formigamento que corre por minha coluna numa espécie de alerta.
Olhando de perto, ela parece estranha, descabelada e descuidada. Suas roupas estão largas, inclusive o casaco de marca que usa sobre elas.
Ela ri, produzindo um som estranho e dissonante que só faz alimentar a minha ansiedade.
— O que você tem que eu não tenho? — pergunta, com tristeza.
A ansiedade se transforma em medo.
— Sinto muito, quem é você?
— Eu? Eu não sou ninguém. — Ela levanta o braço e passa a mão pelo cabelo, na altura dos ombros, e, à medida que faz isso, a manga de seu casaco sobe, revelando um curativo sujo em volta do pulso.
Puta merda.
— Tenha um bom dia, Srta. Steele. — Ela se vira e caminha pela rua, e continuo imóvel no meio da calçada. Eu a observo enquanto sua frágil silhueta desaparece de vista, perdida entre as pessoas que saem dos escritórios.
O que foi isso?
Confusa, atravesso a rua na direção do bar, tentando assimilar o que acabou de acontecer, mas meu inconsciente ergue sua cara feia e grita comigo: Ela tem algo a ver com Christian.
O bar Anos Cinquenta é um ambiente fechado e impessoal, com flâmulas e cartazes de beisebol pendurados na parede. Jack está junto ao balcão com Elizabeth, Courtney, o outro editor, dois caras do setor financeiro e Claire, da recepção. Claire está usando argolas prateadas, sua marca registrada.
— Oi, Ana! — Jack me entrega uma garrafa de Budweiser.
— Saúde... obrigada — murmuro, ainda abalada pelo encontro com a Garota-Fantasma.
— Saúde — brindamos, e ele continua sua conversa com Elizabeth.
Claire sorri para mim com gentileza.
— Então, como foi sua primeira semana? — pergunta ela.
— Foi boa, obrigada. Todo mundo é muito gentil.
— Você parece muito mais feliz hoje.
— É sexta-feira — respondo rapidamente. — E então, o que vai fazer neste fim de semana?
* * *
MINHA JÁ COSTUMEIRA tática de distração funciona, e estou a salvo. Descubro que Claire tem seis irmãos e que vai passar o fim de semana com a família, em Tacoma. Ela fica bastante animada com a conversa, e me dou conta de que não conversava com uma mulher da minha idade desde que Kate foi para Barbados.
Distraída, imagino como Kate deve estar agora... e Elliot. Preciso me lembrar de perguntar a Christian se teve notícias dele. Ah, e Ethan, o irmão dela, volta na próxima terça-feira, e vai ficar no nosso apartamento. Acho que Christian não vai gostar muito disso. Assim, meu encontro com a estranha Garota-Fantasma vai desaparecendo de meus pensamentos.
Durante minha conversa com Claire, Elizabeth me passa outra cerveja.
— Obrigada. — Sorrio para ela.
É muito fácil conversar com Claire, ela gosta de falar, e, antes que eu perceba, estou na terceira cerveja, cortesia de um dos caras do financeiro.
Quando Elizabeth e Courtney vão embora, Jack se aproxima de mim e de Claire. Cadê o Christian? Um dos caras do financeiro puxa Claire para uma conversa.
— E então, Ana, acha que foi uma boa ideia vir trabalhar com a gente? — A voz de Jack é suave, e ele está um pouco perto demais. Mas já notei que tem uma tendência a fazer isso com todo mundo, até mesmo no escritório.
— Foi uma boa semana, Jack, obrigada. Sim, acho que tomei a decisão certa.
— Você é uma menina muito inteligente, Ana. Você vai longe.
— Obrigada — murmuro enrubescida, sem saber o que dizer.
— Você mora longe?
— Em Pike Market.
— Não fica muito longe de onde eu moro. — Sorrindo, ele se aproxima ainda mais e se recosta contra o bar, bloqueando minha saída com eficiência. — Vai fazer alguma coisa neste fim de semana?
— Bem... hum...
Eu o sinto antes de vê-lo. É como se todo o meu corpo estivesse inteiramente antenado para sua presença: relaxo e me inflamo ao mesmo tempo, uma estranha dualidade interna, e sinto aquela eletricidade peculiar pulsando dentro de mim.
Christian passa o braço em torno de meus ombros em uma demonstração de afeto aparentemente casual, mas sei o que significa. É um sinal de posse, e, na atual situação, é muito bem-vindo. Ele beija meu cabelo com ternura.
— Oi, baby — murmura.
Não posso evitar a sensação de alívio, segurança e empolgação que o braço dele ao meu redor transmite. Ele me puxa para junto de si, e eu o vejo encarar Jack com sua expressão impassível. Voltando a atenção para mim, ele me lança um breve sorriso torto seguido de um beijo rápido. Está usando o paletó azul-marinho de risca de giz, calça jeans e uma camisa branca aberta. Ele está delicioso.
Jack se afasta, desconfortável.
— Jack, este é Christian — murmuro, quase me desculpando. Mas por que a necessidade de pedir desculpas? — Christian, Jack.
— Sou o namorado — diz Christian com um pequeno e frio sorriso que não chega a alcançar seus olhos enquanto aperta a mão de Jack.
Olho de relance para Jack, que está avaliando o belo exemplar de masculinidade diante de si.
— Sou o chefe — responde Jack com arrogância. — Na verdade, Ana mencionou um ex-namorado.
Ai, merda. Você realmente não está a fim de jogar este jogo com Christian.
— Bem, deixei de ser ex — responde Christian calmamente. — E aí, Ana, vamos? Está na hora.
— Por favor, fique e tome uma bebida com a gente — convida Jack.
Eu não acho que seja uma boa ideia. Por que essa situação é tão desconfortável? Olho para Claire que, obviamente, está observando boquiaberta, em uma franca apreciação carnal por Christian. Quando vou parar de me preocupar com o efeito que ele tem sobre outras mulheres?
— Já temos planos — responde Christian com seu sorriso enigmático.
Temos? E um frisson de antecipação percorre meu corpo.
— Outro dia, quem sabe — acrescenta ele. — Vamos — diz enquanto segura minha mão.
— Vejo vocês na segunda. — Sorrio para Jack, Claire e os dois caras do financeiro, esforçando-me para ignorar a expressão de insatisfação de Jack ao seguir Christian para fora do bar.
Taylor está ao volante do Audi, esperando.
— Por que eu fiquei com a impressão de que aquilo foi um concurso de quem mija mais longe? — pergunto a Christian depois que ele abre a porta do carro para mim.
— Porque foi — murmura ele, lançando-me um sorriso enigmático e fechando minha porta.
— Oi, Taylor — digo, e nossos olhos se encontram no retrovisor.
— Srta. Steele — responde Taylor com um sorriso caloroso.
Christian senta-se ao meu lado, segura minha mão e, delicadamente, beija meus dedos.
— Oi — diz baixinho.
Minhas bochechas ficam cor-de-rosa só de saber que Taylor pode nos ouvir, mas sinto-me grata de que ele não possa ver o olhar escaldante, de esquentar a calcinha, que Christian está me lançando. Preciso de todo o meu autocontrole para não pular em cima dele ali mesmo, no banco de trás do carro.
Ah, o banco de trás do carro... hum.
— Oi — suspiro, a boca seca.
— O que você gostaria de fazer esta noite?
— Você disse que já tínhamos planos.
— Ah, eu sei o que eu quero fazer, Anastasia. Estou perguntando o que você quer fazer.
Sorrio para ele, radiante.
— Entendi — diz ele com um sorriso perverso. — Então... vai ser implorar. Você quer implorar na minha casa ou na sua? — Ele inclina a cabeça para o lado e abre seu sorriso sensual para mim.
— Acho que você está sendo muito presunçoso, Sr. Grey. Mas, só para variar, dessa vez a gente podia ir para a minha casa. — Mordo o lábio deliberadamente, e as feições dele se fecham.
— Taylor, para o apartamento da Srta. Steele, por favor.
— Sim, senhor — responde Taylor, e dá a partida no carro.
— E então, como foi o seu dia? — pergunta ele.
— Bom. E o seu?
— Bom, obrigado.
Seu sorriso absurdamente largo reflete o meu, e ele beija minha mão mais uma vez.
— Você está linda — diz.
— Você também está lindo.
— O seu chefe, Jack Hyde, ele é bom no que faz?
Uau! Isso é que mudança brusca de assunto! Franzo a testa.
— Por quê? Isso não tem nada a ver com o seu concurso de mijo a distância, tem?
Christian ri.
— Aquele homem quer entrar na sua calcinha, Anastasia — diz ele secamente.
Fico rubra, boquiaberta, e olho nervosa para Taylor.
— Bem, ele pode querer o que bem entender... por que estamos tendo essa conversa? Você sabe que não tenho o menor interesse nele. Ele é só meu chefe.
— Esse é o ponto. Ele quer o que é meu. Preciso saber se ele é bom no trabalho dele.
— Acho que sim. — Dou de ombros. Aonde ele está querendo chegar com isso?
— Bem, é melhor ele deixar você em paz, ou vai acabar no olho da rua.
— Ah, Christian, do que você está falando? Ele não fez nada errado... — Por enquanto. Ele só fica perto demais quando fala comigo.
— Qualquer movimento dele, conte para mim. Isso se chama torpeza moral da mais baixa. Ou assédio sexual.
— Foi apenas uma cerveja depois do trabalho.
— Estou falando sério. Um movimento, e ele está na rua.
— Você não tem esse poder! — Francamente! E, antes que eu possa revirar os olhos para ele, a ficha cai com a velocidade de um relâmpago. — Ou tem?
Christian me lança seu sorriso enigmático.
— Você está comprando a editora — sussurro horrorizada.
Seu sorriso se desfaz em resposta ao pânico em minha voz.
— Não exatamente — diz ele.
— Você já comprou. A SIP. Já comprou.
Ele pisca para mim, cauteloso.
— Talvez.
— Comprou ou não?
— Comprei.
Que inferno!
— Por quê? — pergunto, chocada. Ah, não, isso é demais.
— Porque eu posso, Anastasia. Preciso de você em segurança.
— Mas você disse que não iria interferir na minha carreira!
— E não vou.
Puxo a minha mão de volta.
— Christian... — As palavras me escapam.
— Você está brava comigo?
— Estou. Claro que estou brava com você — explodo. — Quer dizer, que tipo de executivo responsável toma decisões com base na pessoa que ele está comendo no momento? — Fico branca e uma vez mais olho nervosa para Taylor, que está nos ignorando estoicamente.
Merda. Que hora para o filtro cérebro-boca falhar.
Christian abre a boca e então a fecha novamente, fazendo uma cara feia para mim. Eu o encaro de volta. Enquanto nos enfrentamos, a atmosfera no carro mergulha de cálida com toques de doce reconciliação para gélida e repleta de palavras não ditas e possíveis recriminações.
Felizmente, a desconfortável viagem não dura muito tempo, e Taylor encosta o carro diante do meu prédio. Saio às pressas, sem esperar que ninguém abra a porta para mim, e ouço Christian murmurar para Taylor:
— Acho que é melhor você esperar aqui.
Eu o sinto de pé atrás de mim, bem perto, enquanto me esforço para encontrar as chaves da porta da frente na bolsa.
— Anastasia — diz ele com calma, como se eu fosse um animal selvagem encurralado.
Suspiro e me viro para encará-lo. Estou com tanta raiva que ela chega a ser palpável, uma entidade das trevas que ameaça me sufocar.
— Primeiro, já faz tempo, tempo demais, aliás, que não como você. E segundo, eu queria entrar no mercado editorial. Das quatro editoras de Seattle, a SIP é a mais rentável, mas está no seu limite e vai acabar ficando estagnada. Ela precisa se diversificar.
Eu o encaro friamente. Seu olhar é intenso, ameaçador até, mas sensual como o diabo. Eu poderia me perder em sua profundeza de aço.
— Então você é meu chefe agora — rebato.
— Tecnicamente, eu sou o chefe do chefe do seu chefe.
— E, tecnicamente, isso é uma torpeza moral das mais baixas, o fato de eu estar fodendo com o chefe do chefe do meu chefe.
— No momento, você está discutindo com ele. — Christian faz uma cara feia.
— Isso porque ele é um idiota — exclamo.
Christian recua, atordoado. Ai, merda. Será que fui longe demais?
— Idiota? — murmura ele, as feições adquirindo uma expressão divertida. Porra! Estou morrendo de raiva de você, não me faça rir!
— Isso mesmo. — Luto para manter meu olhar de indignação moral.
— Idiota? — pergunta Christian novamente. Desta vez, seus lábios se contorcem num sorriso reprimido.
— Não me faça rir quando estou com raiva de você! — grito.
E ele sorri, um sorriso deslumbrante, cheio de dentes, um modelo de perfeição, e eu não consigo evitar. Sorrio também e, então, caio na gargalhada. Como eu poderia não ser afetada pela alegria presente naquele sorriso?
— Só porque estou com esse sorriso idiota na cara não significa que eu não esteja morrendo de raiva de você — murmuro ofegante, tentando suprimir minha risada infantil de líder de torcida. Embora eu nunca tenha sido líder de torcida, o pensamento amargo atravessa minha mente.
Ele se inclina, e eu acho que vai me beijar, mas não o faz. Enfia o rosto em meu cabelo e inspira profundamente.
— Como sempre, Srta. Steele, você é surpreendente. — Ele volta o corpo para trás, para me encarar, os olhos brilhando cheios de humor. — E então, vai me convidar para entrar ou vou ficar de castigo por exercer o meu direito democrático, como cidadão norte-americano, empreendedor e consumidor, de comprar o que eu bem entender?
— Você falou com o Dr. Flynn sobre isso?
Ele ri.
— Você vai me deixar entrar ou não, Anastasia?
Tento lançar um olhar relutante — morder o lábio ajuda —, mas estou sorrindo quando abro a porta. Christian se vira e acena para Taylor, e o Audi dá partida.
* * *
É ESTRANHO TER Christian Grey em meu apartamento. O lugar parece pequeno demais para ele.
Ainda estou brava — a perseguição dele não tem limites —, e acabo me dando conta de que é por isso que ele sabia que meu e-mail na SIP era monitorado. Ele provavelmente sabe mais sobre a SIP do que eu. É um pensamento desagradável.
O que posso fazer? Por que ele tem essa necessidade de me manter em segurança? Já sou — pelo menos um pouco — adulta, pelo amor de Deus. O que posso fazer para tranquilizá-lo?
Observo seu rosto enquanto ele caminha de um lado para outro na sala, feito um predador enjaulado, e minha raiva desaparece. Vê-lo em meu território depois de achar que tínhamos terminado é reconfortante. Mais do que reconfortante, eu o amo, e meu coração se enche com uma euforia nervosa e inebriante. Ele olha ao redor, avaliando o ambiente.
— Apartamento bacana — diz.
— Os pais de Kate compraram para ela.
Ele acena distraidamente com a cabeça, e seus olhos cinzentos e ousados recaem sobre mim.
— E então... quer uma bebida? — murmuro, enrubescendo.
— Não, obrigado, Anastasia. — Seu olhar escurece.
Por que estou tão nervosa?
— O que você gostaria de fazer, Anastasia? — pergunta ele suavemente, caminhando em minha direção, todo selvagem e sensual. — Eu sei o que eu quero fazer — acrescenta, em voz baixa.
Recuo até bater contra a bancada de concreto da cozinha.
— Ainda estou brava com você.
— Eu sei. — Ele abre um sorriso torto de desculpas, e eu me derreto... Bem, talvez não tão brava assim.
— Gostaria de comer alguma coisa? — pergunto.
— Sim. Você — murmura ele, assentindo lentamente com a cabeça. Todo o meu corpo se enrijece da cintura para baixo. Sou seduzida até por sua voz, mas aquele olhar, aquele olhar faminto de quem quer me devorar agora... meu Deus.
Ele está de pé na minha frente, mas sem encostar em mim, olhando nos meus olhos e me banhando no calor que irradia de seu corpo. Sinto-me sufocada, agitada, e minhas pernas parecem gelatina à medida que o desejo sombrio toma conta de mim. Eu quero esse homem.
— Você já comeu hoje? — pergunta ele.
— Um sanduíche no almoço — sussurro. Não quero falar de comida.
— Você precisa comer. — Ele estreita os olhos.
— Eu realmente não estou com fome... de comida.
— E você está com fome de quê, Srta. Steele?
— Acho que você sabe, Sr. Grey.
Ele abaixa a cabeça, e de novo acho que vai me beijar, mas não o faz.
— Quer que eu beije você, Anastasia? — sussurra baixinho no meu ouvido.
— Sim — murmuro.
— Onde?
— Em todos os lugares.
— Você vai ter que ser um pouco mais específica do que isso. Eu já avisei que não vou tocar você até que implore e me diga o que fazer.
Estou perdida, ele não está jogando limpo.
— Por favor — peço.
— Por favor, o quê?
— Toque em mim.
— Onde?
Ele está tão tentadoramente perto, seu perfume é inebriante. Eu levanto as mãos, e ele recua de imediato.
— Não, não — ele me repreende, os olhos de repente arregalados e alarmados.
— O quê? — Não... volte.
— Não. — Ele balança a cabeça.
— Nem um pouco? — Não consigo evitar o desejo em minha voz.
Ele me olha, hesitante, e eu me sinto encorajada por essa hesitação. Dou um passo na direção dele, e ele recua, erguendo as mãos em defesa, mas sorrindo.
— Espere, Ana. — É um alerta, e ele passa a mão pelo cabelo, exasperado.
— Às vezes você não se importa — observo, melancólica. — Talvez eu devesse pegar uma caneta, aí poderíamos mapear as áreas proibidas.
Ele ergue uma sobrancelha.
— Isso não é má ideia. Onde fica o seu quarto?
Indico com a cabeça. Será que ele está deliberadamente mudando de assunto?
— Você está tomando a pílula?
Ah, merda. A pílula.
Sua expressão se desfaz ao ver minha reação.
— Não — falo, num gemido.
— Certo — diz ele, e seus lábios se comprimem numa linha fina. — Venha, vamos comer alguma coisa.
— Achei que estávamos indo para a cama! Eu quero ir para a cama com você.
— Eu sei, baby. — Ele sorri e, de repente, vem em minha direção, pega meus pulsos e me puxa para junto de si de forma que seu corpo pressiona o meu. — Você precisa comer e eu também — murmura, os ardentes olhos cinzentos me encarando. — Além do mais... a expectativa é o segredo da sedução e, neste instante, estou muito interessado em adiar a gratificação.
Hum, desde quando?
— Você já me seduziu e eu quero a minha gratificação agora. Eu imploro, por favor — minha voz parece um gemido.
Ele sorri para mim com ternura.
— Vamos comer. Você está muito magra. — Ele beija minha testa e me solta.
É um jogo, parte de algum plano maligno. Faço uma cara feia.
— Ainda estou com raiva porque você comprou a SIP, e, agora, estou com raiva porque você está me fazendo esperar — resmungo.
— Você é muito ansiosa, não é? Mas vai se sentir melhor depois de uma boa refeição.
— Eu sei o que vai fazer com que eu me sinta melhor.
— Anastasia Steele, estou chocado. — Seu tom é um tanto debochado.
— Pare de me provocar. Você não joga limpo.
Ele sufoca o riso, mordendo o lábio inferior. Simplesmente adorável... um Christian brincalhão divertindo-se com a minha libido.
Se pelo menos as minhas habilidades de sedução fossem melhores, eu saberia o que fazer, mas não poder tocá-lo realmente dificulta as coisas.
Minha deusa interior estreita os olhos, pensativa. Precisamos trabalhar essa questão.
Enquanto Christian e eu nos encaramos — eu, toda alvoroçada e cheia de desejo; ele, descontraído e divertindo-se às minhas custas —, percebo que não tenho comida em casa.
— Eu poderia cozinhar alguma coisa para nós, só que vamos ter que ir ao mercado.
— Ao mercado?
— Comprar comida.
— Você não tem comida em casa? — Sua expressão se enrijece.
Nego com a cabeça. Merda, ele parece muito irritado.
— Vamos às compras, então — diz com firmeza ao se virar em direção à porta, abrindo-a para mim.
* * *
— QUANDO FOI a última vez em que esteve em um supermercado?
Christian parece deslocado, mas ele me segue, obediente, segurando uma cesta de compras.
— Não me lembro.
— É a Sra. Jones quem faz as compras?
— Acho que Taylor a ajuda. Não sei bem.
— Você gosta de frango xadrez? É rápido de fazer.
— É uma boa ideia — Christian sorri, sem dúvida imaginando meu verdadeiro motivo para querer uma refeição rápida.
— Eles trabalham com você há muito tempo?
— Taylor, há quatro anos, acho. A Sra. Jones também deve ter o mesmo tempo. Por que você não tem comida em casa?
— Você sabe o porquê — murmuro, enrubescendo.
— Foi você quem me deixou — resmunga ele, em desaprovação.
— Eu sei — respondo em voz baixa, não querendo ser lembrada disso.
Chegamos ao caixa e, em silêncio, esperamos na fila.
Se eu não tivesse ido embora, ele teria oferecido a alternativa do relacionamento baunilha?, pergunto-me inutilmente.
— Você tem alguma coisa para beber? — Ele me traz de volta ao presente.
— Cerveja... Acho.
— Vou pegar um vinho.
Ah, Deus. Não sei que tipo de vinho pode-se comprar num Supermercado Ernie. Christian volta de mãos vazias e com uma cara de nojo.
— Tem uma boa loja de bebidas aqui ao lado — digo depressa.
— Vou ver o que eles têm.
Talvez devêssemos ir logo para a casa dele, assim não teríamos esse aborrecimento todo. Eu o observo deixar o supermercado, determinado e com uma elegância natural. Duas mulheres na entrada param para observá-lo. Ah, sim, contemplem o meu Cinquenta Tons, penso, desanimada.
Quero lembrar dele na minha cama, mas ele está bancando o difícil. Talvez eu devesse fazer o mesmo. Minha deusa interior concorda freneticamente. E ali, na fila, estabelecemos um plano. Hum...
* * *
CHRISTIAN LEVA as sacolas de compras até o apartamento. Ele as está carregando desde que saímos do mercado. E parece estranho. Não tem nada da aparência habitual de CEO.
— Você parece tão... doméstico.
— Ninguém nunca me acusou disso antes — responde secamente.
Ele coloca as sacolas na bancada da cozinha. Tiro as compras das bolsas; ele pega uma garrafa de vinho branco e procura um saca-rolhas.
— Este lugar ainda é novo para mim. Acho que o abridor está naquela gaveta ali. — Aponto com o queixo.
Isso parece tão... normal. Duas pessoas se conhecendo, preparando uma refeição. No entanto, é tão estranho. O medo que sempre senti na presença dele passou. Já fizemos tanta coisa juntos, eu coro só de pensar, e ainda assim, mal o conheço.
— Em que você está pensando? — Christian interrompe meu devaneio enquanto tira o paletó risca de giz e o coloca sobre o sofá.
— Em quão pouco conheço você.
Seus olhos se suavizam.
— Você me conhece melhor do que qualquer pessoa.
— Não acho que isso seja verdade. — A Mrs. Robinson surge em meus pensamentos sem ser chamada, uma visão nada bem-vinda.
— Mas é, Anastasia. Sou uma pessoa muito, muito reservada.
Ele me entrega uma taça de vinho branco.
— Saúde — diz.
— Saúde — respondo e tomo um gole enquanto ele guarda a garrafa na geladeira.
— Posso ajudar com isso? — pergunta.
— Não, está tudo bem... pode se sentar.
— Eu queria ajudar. — Sua expressão é sincera.
— Você pode cortar os legumes.
— Não sei cozinhar — diz ele, observando com desconfiança a faca que passo para ele.
— Imagino que você não precise. — Coloco uma tábua e uns pimentões vermelhos na frente dele. Ele fica olhando, confuso. — Você nunca cortou um legume antes?
— Não.
Sorrio para ele.
— Está rindo de mim?
— Parece que há uma coisa que eu sei fazer e você não. Cá entre nós, Christian, acho que se trata de uma primeira vez. Aqui, deixe-me mostrar.
Encosto o corpo no dele, e ele recua. Minha deusa interior ergue o olhar e fica atenta.
— Assim. — Fatio o pimentão, tomando o cuidado de remover as sementes.
— Parece bastante simples.
— Você não vai achar muito difícil — murmuro, com ironia.
Ele me olha impassível por um momento e depois se volta para sua tarefa; eu preparo o frango picado. Ele começa a fatiar com cuidado, bem devagar. Ai, meu Deus, desse jeito vai levar a noite toda.
Lavo minhas mãos e vou procurar a panela, o óleo e os outros ingredientes dos quais preciso, roçando repetidas vezes o corpo no dele — meu quadril, meu braço, minhas costas, minhas mãos. Pequenos toques, aparentemente inocentes. E ele fica paralisado a cada vez que faço isso.
— Eu sei o que você está tentando, Anastasia — murmura ele, sombrio, ainda fatiando o primeiro pimentão.
— Acho que as pessoas chamam de cozinhar — digo, piscando os olhos. Pego outra faca e me junto a ele diante da tábua para cortar o alho, a cebolinha e as ervilhas, esbarrando continuamente nele.
— Você é muito boa nisso — resmunga ele ao começar a fatiar o segundo pimentão.
— Fatiar legumes? — Pisco. — Anos de prática. — E esbarro nele com o quadril. Christian fica paralisado mais uma vez.
— Se você fizer isso mais uma vez, Anastasia, eu vou trepar com você no chão dessa cozinha.
Uau. Está funcionando.
— Você vai ter que implorar primeiro.
— É um desafio?
— Talvez.
Ele descansa a faca sobre a mesa e caminha lentamente na minha direção, seus olhos em chamas. Inclina-se para longe de mim e desliga o gás do fogão. O óleo na panela silencia quase imediatamente.
— Acho que vamos comer mais tarde — diz ele. — Coloque o frango na geladeira.
Taí uma frase que eu jamais imaginei ouvir de Christian Grey, e só ele poderia fazê-la soar sensual. Muito sensual, aliás. Pego a vasilha com o frango picadinho e, trêmula, coloco um prato sobre ela e a guardo na geladeira. Quando me viro, ele está junto a mim.
— Então, você vai implorar? — sussurro, fitando corajosamente seus olhos sombrios.
— Não, Anastasia. — Ele balança a cabeça. — Nada de implorar. — Sua voz é suave, sedutora.
E ficamos ali, encarando-nos, deliciando-nos com a visão do outro, sem dizer nada, apenas olhando, a atmosfera ao nosso redor quase estalando de tão carregada. Mordo meu lábio à medida que o desejo que sinto por esse homem maravilhoso se apodera de mim à força, esquentando meu sangue, oprimindo minha respiração, acumulando-se na região abaixo da cintura. Vejo minhas reações refletidas na postura dele, em seus olhos.
Num instante, ele me agarra pelo quadril e me puxa para junto de si, minhas mãos seguram seu cabelo, e sua boca busca por mim. Ele me empurra contra a geladeira, ouço o barulho abafado de garrafas e frascos protestando, sua língua encontra a minha. Solto um gemido dentro de sua boca, e uma de suas mãos segura o meu cabelo, puxando minha cabeça para trás enquanto trocamos um beijo selvagem.
— O que você quer, Anastasia?
— Você — sussurro.
— Onde?
— Cama.
Christian se solta do nosso abraço, me pega nos braços e me carrega depressa e aparentemente sem qualquer esforço até o quarto. Ele me coloca de pé ao lado da cama e se inclina para acender o abajur na mesa de cabeceira. Dá uma olhada rápida em volta e fecha as cortinas cor de creme.
— E agora? — diz em voz baixa.
— Faça amor comigo.
— Como?
Caramba.
— Você tem que me dizer, baby.
Puta merda.
— Tire minha roupa. — Já estou ofegante.
Ele sorri e pega na abertura da minha camisa com o indicador, puxando-me em direção a ele.
— Boa menina — murmura e, sem tirar os olhos ardentes dos meus, lentamente começa a desabotoar minha camisa.
Com cuidado, apoio minhas mãos em seus braços para manter o equilíbrio. Ele não reclama. Os braços são uma área segura. Quando termina com os botões, ele puxa minha camisa por sobre meus ombros, e eu tiro as mãos dos braços dele para deixar a camisa cair no chão. Ele se estica na direção do cós de minha calça jeans, abre o botão e puxa o zíper para baixo.
— Diga o que você quer, Anastasia. — Seus olhos estão em chamas; os lábios, entreabertos, a respiração ofegante.
— Beije-me daqui até aqui — sussurro, arrastando o dedo a partir da base da orelha até o pescoço.
Ele tira o meu cabelo do caminho e se curva sobre mim, deixando beijos suaves ao longo do percurso de meu dedo, e depois faz o caminho de volta.
— A calça jeans e a calcinha — murmuro, e ele sorri junto do meu pescoço antes de se ajoelhar diante de mim.
Ah, eu me sinto tão poderosa. Com os polegares enfiados por dentro do cós, ele desce delicadamente a calça junto com a calcinha ao longo de minhas pernas. Eu dou um passo para fora dos sapatos e das roupas, de forma que fico só de sutiã. Ele para e olha para cima em expectativa, mas não se levanta.
— E agora, Anastasia?
— Beije-me — sussurro.
— Onde?
— Você sabe onde.
— Onde?
Hum, ele está bancando o durão. Envergonhada, aponto rapidamente para o local onde minhas coxas se encontram, e ele sorri com malícia. Fecho os olhos, mortificada, mas, ao mesmo tempo, muito excitada.
— Ah, com prazer. — Ele ri.
Ele me beija e brinca com a língua, essa língua experiente que inspira prazer. Solto um gemido e enfio as mãos em seu cabelo. Ele não para, a língua circulando o meu clitóris, deixando-me louca, de novo e de novo, indo e voltando. Ahhh... quanto tempo... faz...? Ah...
— Christian, por favor — imploro. Não quero gozar de pé. Não tenho força para isso.
— Por favor o quê, Anastasia?
— Faça amor comigo.
— Estou fazendo — murmura ele, soprando em mim suavemente.
— Não. Quero você dentro de mim.
— Você tem certeza?
— Por favor.
Ele continua com a sua tortura doce e deliciosa. Solto um gemido alto.
— Christian... por favor.
Ele se levanta e me olha, os lábios brilhando com a prova da minha excitação.
Que tesão...
— E então? — diz ele.
— E então, o quê? — pergunto ofegante, olhando para ele tomada de um desejo frenético.
— Ainda estou vestido.
Eu o encaro, confusa.
Tirar a roupa dele? Sim, eu posso fazer isso. Pego sua camisa e ele recua.
— Não — adverte. Merda, ele quer dizer a calça.
Hum, isso me dá uma ideia. Minha deusa interior fica animada, e eu caio de joelhos diante dele. Um tanto desajeitada e com as mãos tremendo, abro a calça e a puxo para baixo, junto com a cueca, e ele está livre. Uau.
Ergo o olhar para ele através dos cílios, e ele está olhando para mim com... o quê? Apreensão? Espanto? Surpresa?
Ele sai da calça e tira as meias, e eu o seguro, apertando-o com força, deslizando a mão para trás do jeito que ele me ensinou. Ele geme, seu corpo se enrijece, a respiração sibila por entre dentes cerrados. Com muito cuidado, eu o coloco na boca e o chupo com força. Hum, ele tem um gosto bom.
— Ah, Ana... ei, devagar.
Ele segura minha cabeça com ternura, e o enfio mais fundo em minha boca, pressionando meus lábios tão firmemente quanto posso, cobrindo os dentes e sugando com força.
— Caralho — sussurra ele.
Ah, que som gostoso, sensual e inspirador. Então eu repito, engolindo-o ainda mais fundo e rodopiando a língua na ponta. Hum... Eu me sinto como Afrodite.
— Ana, chega. Pare.
Faço de novo. Ande, Grey, implore. E mais uma vez.
— Ana, você já provou o quanto é boa — murmura ele entre dentes. — Eu não quero gozar na sua boca.
Repito ainda mais uma vez, e ele se abaixa, me agarra pelos ombros, me coloca de pé e me joga na cama. Arrancando a camisa, ele remexe a calça jeans largada no chão e, como um bom menino, tira do bolso um envelopinho de papel laminado. Está ofegante, como eu.
— Tire o sutiã — ele ordena.
Eu me sento e obedeço.
— Deite. Quero ver você.
Eu me deito, olhando para ele enquanto ele desenrola lentamente a camisinha. Eu o quero tanto. Ele me encara e passa a língua nos lábios.
— Você é uma bela visão, Anastasia Steele.
Ele se inclina sobre a cama e lentamente sobe em mim, beijando-me. Beija cada um dos meus seios e brinca com os mamilos, um de cada vez, eu gemo e me contorço embaixo dele, mas ele não para.
Não... Pare. Quero você.
— Christian, por favor.
— Por favor, o quê? — murmura ele entre os meus seios.
— Quero você dentro de mim.
— Agora?
— Por favor.
Olhando para mim, ele abre minhas pernas com as suas e se ajeita de modo que fica pairando sobre meu corpo. Sem tirar os olhos dos meus, entra em mim num ritmo deliciosamente lento.
Fecho os olhos, saboreando a plenitude, a sensação extraordinária de sua posse, minha pélvis se inclinando instintivamente para encontrá-lo, para se juntar a ele, gemendo alto. Ele sai e, muito lentamente, entra de novo.
Meus dedos correm até seu cabelo sedoso e rebelde, e, muito lentamente, ele continua se movendo para dentro e para fora de mim.
— Mais rápido, Christian, mais rápido... por favor.
Ele me olha vitorioso e me beija com força, e então começa a se mover de verdade — puta merda, um ritmo implacável... ah... —, e eu sei que não vai demorar muito. Ele estabelece uma cadência acelerada. Fico excitada, as pernas rígidas embaixo dele.
— Goze, baby — suspira. — Goze para mim.
Suas palavras são uma perdição, e, magnificamente, as ideias entorpecidas, eu explodo em um milhão de pedaços ao redor dele, e ele me acompanha gritando o meu nome.
— Ana! Ah, Ana!
Ele cai em cima de mim, a cabeça enterrada em meu pescoço.